Sensível
Quase patético
Porque é tarde.
Por que é tarde?
Estamos doentes, é possível perceber.
Mas ainda posso sentir
É vulgar como um pão com manteiga
Mas ainda posso sentir
A doença é bobagem
Todavia, fere.
Hollywood é o bastante para me distrair
Vulnerável como uma criança.
Mas ainda posso sentir.
O Ocidente vive momentos difíceis.
Meus doces já se transformaram em diabetes tipo II.
E a saúde gratuita já está na berlinda.
A América sangra.
Os estadunidenses sangram,
Mas constroem muros
E o Paulinho canta veludo nos falantes.
Dia, dia, dia a dia.
Ganja
E ainda posso sentir.
Mais um rebento,
Mais um fio branco nas têmporas, bem próximo da orelha.
Sussurra baixinho...
Seu nome
Molhe os lábios com a língua
e minha solidão se transforma em arma branca.
Quando nos abraçamos, pude sentir.
Eramos dois adolescentes novamente.
Trabalhando até a morte no século XXI.
A fome assola o Sudão e a Nigéria.
E ainda posso sentir.
A previdência é lucro de banco.
E trabalhávamos até a morte no passado.
Mas o passado era presente e futuro.
Era tempo de verbo, não de pessoas concretas.
Os homens e mulheres reais trabalhavam como dantes.
Sentiam que era assim.
Fosse o tempo no caderno, em exercícios de conjugação!
Os dias e noites de suor.
Sentíamos...