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segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

(Re) Começo

 A capacidade de suportar o amor é algo que também nos define. Algumas sirenes por perto. No chão do quarto, colchão de solteiro, quatro mil mortes por covid. Delírios. A fome impõe insetos no interior do país. Eleitoralmente é melhor que alguns morram. Calcule! A carestia maneja mais cortes. Duzentos e setenta dias não te rendem abono. Amargo!  Pau tenente na pinga ruim da esquina. Ódio! Muda a faixa, põe mais uma do trap nordestino. Suportar o amor. Havia algo de mal compreendido nas cartas de Paulo. Burocratas! Por favor. Vinte e um dias de pata de boi. Tela no escuro do quarto. Hora de trabalhar. Criar sentido no olhar, ver, curtir, compartilhar… Hora de trabalhar. Indústria, pós indústria, superindustria. Fumaça densa. Fato, método, medo, prazeres inalcançáveis. Crença. Angu, sagu, qualquer coisa com u que nos permita um sonoro: ei, Bolsonaro, vai tomar no cu!

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Breve


A vaidade lançou mais uma toga à crítica dos ratos. O sol arde, é verão. Ilumina egos e expõe fissuras cheias de limbo. Encontros e desencontros. Amores, paixões, traumas, um pouco de rancor, as famílias na areia da praia. Poucos dias e noites em alguma praia do Atlântico Sul. Vi seus olhos cheios d’água no retrovisor, foi um duro golpe do tempo. Cabelos brancos e cada vez mais ralos em nossas cabeças. Quem pagará pela distância a nós imposta? Falta, falta, muita falta. Foi pouco o discernimento para dimensionar a falta. A guerra contínua de quem sempre esteve aqui. Nas manhãs de sol, no verão, não ligamos se é segunda ou terça. Pedaço úmido e saboroso do bolo da vida e do tempo. Férias.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Manha de nenê

Palavras de colo
A "reina" do verbo
"Naná" do sujeito

Ne ne ne ne ne ne

Oração coordenada 
Papai, mamãe e vovó
Todo mundo junto

Aaaaaamém 

Palavras de colo 
A "reina" do verbo
Sujeito de manha 

Na na na na na na

sábado, 6 de outubro de 2018

Concretude


Mentes aguçadas penduradas no espaço-tempo. A coisa está nos recados de amor. Nas paredes de Pompeia. A vida insiste, persiste, impõe que é o piolho. O partido lançou uma nota. Sindicatos, forças, tendências, agremiações e coletivos, muitos lançaram nota. Cátia de França nos falantes nos ajuda a viver ao redor do sol. O sabor sempre renovado da descoberta. Do  novo, de novo e de novo. Treze vezes anteontem.
Falta pouco para a primavera. O inverno foi relativamente constante. Dias frios, mas bastante iluminados. Meus olhos, mais do que nunca, se enchem d’agua. O fogo consome parte da memória. O velho inglês nos disse que são tendências políticas de nossos tempos. Os sentidos do passado. Há relativa paz na tragédia. O mundo dos homens é um mundo de bichos.
O rebento transformou tudo. Deu provas empíricas de que o tempo pode ser deus e o diabo. Nada comparado ao que está preso aos ponteiros de relógios pendurados nos braços e paredes. De repente sou e não sou eu. O eu só pode ser movimento. Estala a vida.
A velha casa nova é grande. Cômodos grandes par a os padrões populares de nossos dias. Fria. As fitas de sol primeiramente invadem as janelas da sala. No quarto de cortinas brancas ele traz alegria e esperança por volta das 9 da manhã. O calor acaricia nossos cobertores durante as tardes. É bom dormir assim.
Em dias outros de vida e morte da matéria orgânica (mente) retrataremos esses dias. Cheiros e sons serão pedaços do que não existe mais. Serão mais ou menos assim. Sorvedouros de lama. Brincadeiras de criança.   
A tempestade dos dias chacoalhou o arvoredo. Um amigo disse:
- Vão-se as folhas e os gravetos.
Não parece haver coisa mais impetuosa que tempestades dessa natureza. São coisas fisicamente metafísicas. Reclino o corpo na cadeira preta. Triturando o fumo não penso em nada concreto. Concreto é o avanço do fascismo. A concretude do fato é o elástico enrolado da rotina que engatilha medos e angústias. Dias e noites a fora. Não sou eu irreparável memória. Nem seremos nós tão bovinos assim.
Custe o que custar.

domingo, 8 de abril de 2018

sexta-feira, 30 de março de 2018

30 dias


Trinta dias correram. A presunção de relativa glória. Devagar para com os vícios, muito rápido para com o filho que há de vir. Procuro Mautner lentamente. Já fiz exercícios logo cedo. A ansiedade me tira o sono e o apetite. O cão é experiência paradoxal – todas são. Andamos pela calçada fedida da rua. Falta de saneamento. É uma rua bonita com calçamento de pedra. São 06:32 de uma manhã de verão. Encontro outros como eu, fumando. De bermuda e camiseta, fumando, passam mais dois. O que é ser um homem ou uma mulher nessas ruas de pedra, com cheiro de fossa, as 06:00 da manhã? Trinta dias correram. O túnel lentamente se expande. Já não apresenta sua forma circular, arredondada. Hoje o cão conseguiu me acompanhar. Fiz carinho na sua cabeça dura. Seus pelos cor de caramelo. O sol nasce na janela da sala. Produz uma luz elegante e acho isso agradável. Há dias que a atmosfera política tem tons de golpe. Formas carcomidas de massacre, crime social. Alguns de nós sentem o fardo com muito pesar. Outros apenas sentem. Talvez, diante de tantas certezas, fosse melhor apenas sentir. Sou eu dirigindo pela noite, estrada a fora, depois de mais um dia longo. Fumando. Gosto do espectro amarelo das luzes das ruas onde passo. As novas, de espectro branco, iluminam mais. Mas não são tão charmosas. A música alta e a fumaça densa dos cigarros de maconha incitam a reflexão. Triste. Nossa comunicação não funcionou. Eram mentes resistentes. Cansadas da rotina, apaixonadas por ela. Algo de passional que já conhecemos. Um radical disse: chega! Não foi suficiente. A rotina se agigantou. Coisas pequenas tornaram-se enormes blocos de pedra. Correntes. Trinta dias correram. Pequenas plantas num vaso de plástico. Singelas como devem ser. Alimentam nossa esperança: há mais dias a correr. Trinta outros virão.

domingo, 11 de março de 2018

Miúdas



Miúdas.

Tão pequenas e volumosas.

Incontáveis e pequeninas disputas,

Entre o homem que quero ser e o que sou.

Práticas de vícios.

Sádicos.

Há prazer no exercício da força(?)

São tão elefantas as tarefas do tempo,

Da história.

Para nós, assim, permanecermos entranhados nessa ou naquela cor do tapete,dos varões,da finalidade do lixo.

O ódio,
Vizinho à espreita. 
Senão inunda.

Atua não represado.


O amor e a resiliência a evitá-lo.


 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Compasso



A vida jorra.
Insiste nos interstícios.
Alheia ao gosto, aos padrões.
Jorra.
Nossos hábitos se espreitam nas sombras.
São companhias indesejadas.
O estalo da vida em fusa ou semifusa.
A melancolia em breve e semibreve.
Viveu!

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Hora do chá

Da janela da sala de teto alto eu olhava o pequeno campo de milho de um dos vizinhos chacareiro. As enormes torres de energia elétrica faziam sombras contrastantes no pôr do sol dourado do outro lado. Era mesmo um pequeno regalo, um pedaço de céu. Nossa casa ficava no alto de uma colina. De um lado uma faixa de céu azul, limpo, o verde do campo, as sombras negras, e as pesadas nuvens noutra faixa. Minha mãe e eu, ambos, envolvidos em uma fraternidade de cúmplices da vida, da doença e da ternura de um chá para aliviar a tosse. A minha voz rouca, já grave por natureza, mas mais ainda pelo hábito (gostoto) de fumar, associada ao teto alto de madeira e ao espectro amarelo das luzes incandescentes, harmonizavam com o também amarelo-alaranjado do jardim Céu Azul nas tardes de primavera. Tudo isso, lógico, passava na mesma timeline do trabalho escravo, da culpa católica que ainda sentiríamos por longos anos ao faltar do trabalho, do Ocidente cada vez mais far right. De ração para os pobres.

Olhei outra vez e a janela me lançava uma paisagem ainda mais bonita, com nuvens carregadas entre uma faixa limpa de céu e o firmamento no horizonte do campo de milho e das torres. Alguns minutos e o sol desceu, sumiu no horizonte. Não refletia mais no campo, do outro lado da colina. Ainda não é noite. Mas sua presença dá um tom mais frio no colorido da tarde. A temperatura caiu mesmo. A mil metros do nível do mar acontece com frequência.


Estranho como nos sentimos vivos ao flertar com a morte. Assistimos a um vídeo onde uma idosa com Alzheimer parecia brincar inocentemente com o reflexo de sua imagem no espelho. A fragilidade de vida, a exigência da morte. 

Ficou pronto o chá. 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Sobre um aspecto do movimento sindical brasileiro

Manhã de reflexão após um período intenso de aprendizado. É, nesse momento, assim que estou tentando avaliar tudo que passei e/ou tudo que passamos.
Conheci os sindicatos nos livros durante a graduação em Ciências Sociais. Li sobre algumas experiências históricas de trabalhadores organizados enquanto força política, do papel dos movimentos sociais, de debates sobre paradigmas sob os quais podemos analisá-los, da relação entre indivíduo e sociedade, da estrutura de classes, de problemas de natureza epistemológica, ideológica, ontológica, e tantas outras coisas. A respeito da licenciatura, isto é, da formação para docente, confesso que a da UEL foi muito robusta.
Mas, tem um aspecto disso tudo que não está na sala de aula, nem nos livros, que não cabe nas linhas, nos métodos, nem na etiqueta da linguagem formal da academia. Que não passa na propaganda, sem maquiagem. Há uma dimensão que você só tem noção dela agindo, trabalhando, construindo, desconstruindo. Tanto na escola quanto nos sindicatos de educadores, assim como em tantos outros espaços, a correlação de forças e as disputas, na realidade, não são polidas e educadas, embora também guardem esse aspecto por uma necessidade teatral de parecerem formalmente respeitosas. Nos momentos mais abertos, elas se dão de forma vil e abjeta. Assim, nessa dimensão, experimentamos toda a sorte de interesses e práticas em torno do poder político de dirigir, de mandar e/ou comandar, de organizar, planejar, debater, instruir, formar, avaliar, direcionar recursos, etc.
Nos sindicatos tive o desprazer de ser mesário em uma eleição organizada por um sindicato de base da UGT. Uma primeira experiência quando eu era, ainda, mais jovem. Coisa medonha. Horas de trabalho seguidas, sem dormir, sem comer direito, eu sem entender nada àquela época. Jovem, pobre, sem qualificação, precisando de uma grana e tentando entender o que significava aquela disputa antiética, cruel e violenta. Voltei meus esforços para a formação acadêmica novamente. Nesse caminhar, li sobre os limites da ação sindical, sobre a história do movimento sindical brasileiro, francês, inglês, estadunidense, russo, e, de maneira geral, sobre os processos de constituição da classe trabalhadora enquanto força econômica e política no palco das disputas no interior das sociedades modernas e contemporâneas do Ocidente capitalista.
Desde 2008 que eu guardava alguma relação com o sindicato dos educadores, mas ainda de maneira muito fragmentada, haja vista que só pegava aula, enquanto acadêmico, de uma parte do ano para frente e, muitas das vezes, estava trabalhando com os "bicos", pois os horários para me dedicar a pesquisa fragmentavam todo o meu dia. A partir de 2013, quando consegui terminar o mestrado em Ciências Sociais, me afastei da academia para me dedicar a docência na educação básica de maneira integral. Também pude me aproximar com mais regularidade da atividade sindical. A conjuntura nos colocou diante de lutas históricas, embora em um período curto de tempo. Fiquei muito entusiasmado com pessoas que conheci e que em suas práticas desencadeavam esperança e fé no futuro, retidão ética, compromisso, responsabilidade, pouca ambição a partir de projetos pessoais, e a crença de que precisamos construir uma saída.
Estive, também, umas tantas vezes nesses últimos anos, diante do que há de pior no ser humano. A disputa vil e abjeta como um monstro autofágico. A fé no futuro, os projetos, a formação, o companheirismo, a camaradagem, a necessidade de construção e fortalecimento de um movimento amplo de participação dos trabalhadores, de uma educação ampla e democrática, voltada para a autonomia, tudo isso atacado por interesses corporativos, mesquinhos e de grupos, aliados a práticas de ataque físico e emocional, de má fé, de promiscuidade com o poder econômico, de humilhação e aniquilamento de corações e almas.
Tive certeza do modo de agir de determinadas forças políticas no interior do movimento sindical brasileiro, aquilo que nos livros aparece de modo bastante polido como "sindicalismo burocrático", como "aristocracia proletaria", como "interesses imediatos", experimentei na prática sob empurrões, gritos e xingamentos.
Nosso adoecimento está na moderação. Vamos cada vez mais pela raiz!