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domingo, 6 de novembro de 2016

Sobre corujas

Era uma janela com vista ampla
Não no sentido literal
Era ampla porque dava para o mundo

E havia corujas
Despreocupadas, sentavam nos poucos postes da rua
Quando a noite chegava, o céu alaranjado de nuvens carregadas,
Tínhamos a impressão de que aquilo era uma espécie de segredo
Algo quase místico

Não existem mais corujas
Os dias passaram e elas se foram
Como os segredos, que diante do tempo se perdem com a morte

Há companhia, mas não mais das corujas
O cão também se foi
Um pequeno-grande pedaço de nós

Eu sentia os olhos deles em mim,
Testemunhavam muitas coisas, mas eram seguros como um bunker
E foi tão pouco ser um homem
Que passaram-se muitos amores
Mas a canção ainda é a mesma
Resignificada
Perene como o macilento morro da serra pelada
Persistente
E generosa com os dramas das novas gerações



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