Da janela da sala de teto alto eu
olhava o pequeno campo de milho de um dos vizinhos chacareiro. As enormes
torres de energia elétrica faziam sombras contrastantes no pôr do sol dourado
do outro lado. Era mesmo um pequeno regalo, um pedaço de céu. Nossa casa ficava
no alto de uma colina. De um lado uma faixa de céu azul, limpo, o verde do
campo, as sombras negras, e as pesadas nuvens noutra faixa. Minha mãe e eu,
ambos, envolvidos em uma fraternidade de cúmplices da vida, da doença e da
ternura de um chá para aliviar a tosse. A minha voz rouca, já grave por
natureza, mas mais ainda pelo hábito (gostoto) de fumar, associada ao teto alto
de madeira e ao espectro amarelo das luzes incandescentes, harmonizavam com o
também amarelo-alaranjado do jardim Céu Azul nas tardes de primavera. Tudo
isso, lógico, passava na mesma timeline
do trabalho escravo, da culpa católica que ainda sentiríamos por longos anos ao
faltar do trabalho, do Ocidente cada vez mais far right. De ração para os pobres.
Olhei outra vez e a janela me lançava uma paisagem ainda mais bonita, com nuvens carregadas entre uma faixa limpa de céu e o firmamento no horizonte do campo de milho e das torres. Alguns minutos e o sol desceu, sumiu no horizonte. Não refletia mais no campo, do outro lado da colina. Ainda não é noite. Mas sua presença dá um tom mais frio no colorido da tarde. A temperatura caiu mesmo. A mil metros do nível do mar acontece com frequência.
Olhei outra vez e a janela me lançava uma paisagem ainda mais bonita, com nuvens carregadas entre uma faixa limpa de céu e o firmamento no horizonte do campo de milho e das torres. Alguns minutos e o sol desceu, sumiu no horizonte. Não refletia mais no campo, do outro lado da colina. Ainda não é noite. Mas sua presença dá um tom mais frio no colorido da tarde. A temperatura caiu mesmo. A mil metros do nível do mar acontece com frequência.
Estranho como nos sentimos vivos
ao flertar com a morte. Assistimos a um vídeo onde uma idosa com Alzheimer
parecia brincar inocentemente com o reflexo de sua imagem no espelho. A
fragilidade de vida, a exigência da morte.
Ficou pronto o chá.
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