Confesso que resisti, inquieto, à tentação de escrever sobre os acontecimentos (manifestações "populares") que foram levadas a cabo nas ruas de quase todo o Brasil. É sempre difícil identificar as posições no calor do momento. Entretanto, mesmo agora, não é tarefa fácil fazer uma avaliação do governo do PT e das possíveis tendências políticas no Brasil. Também não é a isso que esse comentário se pretende, ou então estaria "cagando" artigos para a academia.
Depois de assistir a vários vídeos sobre as manifestações, alguns esperançosos, outros bastante pessimistas, outros ainda claramente produzidos na esteira do "vamos disputar consciências", acredito que a ideia e objetivo de "disputar consciências" se constitui em um ponto de partida completamente equivocado. Primeiro, porque isso reitera um pressuposto da teoria das elites de que há sempre uma maioria passiva diante de uma minoria ativa. Em linhas gerais o Estado de massas e a política de massas já provaram que mesmo os partidos ditos de esquerda quando almejam e alcançam o poder sobre esta máxima - mesmo que não abertamente, como é o caso do PT no Brasil - se utilizam de um recurso nada revolucionário, a demagogia. Basta lembrarmos das propagandas eleitorais cheias de bichinhos e artistas famosos, entre outros elementos coloridos.
Em que medida a propaganda de massa, enquanto técnica e recurso, pode ser a expressão do posicionamento ideológico e das ações e estratégias empreendidas pelos partidos modernos na construção de suas práxis?
Acredito que a ausência de um debate profundo e amplo a respeito dessa questão é, ao mesmo tempo, causa e efeito do modo como o quadro político do país está orquestrado. Nesse sentido, vem a tona as palavras de ordem e os discursos pautados pela ideia de "disputar consciências". O PSTU, por exemplo, parece crer que o proletariado pode ser despertado pela apresentação de seus "reais" objetivos - imediatos e/ou mediatos. Sua postura ao fazer isso tem dois efeitos mais facilmente perceptíveis: o primeiro diz respeito a sua fidelidade aos compromissos históricos do proletariado enquanto classe potencialmente revolucionária. Não se pode negar que isso tem um preço, e é a ele que faço referência ao falar do segundo efeito. Sem dúvidas que o proletariado não quer, por exemplo, a volta da inflação vertiginosa que esteve presente na vida dos brasileiros por tantos anos. Não quer pagar a dívida, mas também não quer o país torne-se instável para os investidores, o que certamente diminuiria os investimentos e traria fuga de capitais. O preço a pagar por se manter fiel a um projeto revolucionário é que nem todos estão dispostos a mudar radicalmente. O sucesso eleitoral do PSTU demonstra isso em um plano mais imediato.
Como trabalhar junto as massas? Qual o papel dos intelectuais na construção da luta política e da práxis? É possível transpor os limites da classe em si através da propaganda de massas dentro da estrutura política do país?
São todos questionamentos importantes que tangenciam as manifestações que surpreenderam o Brasil durante o ano de 2013. As pessoas demonstraram de maneira sintomática e, até tragicômica, que oportunistas de esquerda e de direita não eram bem-vindos quando deixavam transparecer que estavam ali "disputando consciências". Não faltaram cenas de hostilidade contra manifestantes e militantes partidários durante as manifestações de junho/julho.
Parece que estamos diante de uma problemática irônica. Ser fiel aos seus compromissos históricos e pagar o preço do fracasso nas urnas, ou aderir a propaganda de massas, densamente demagógica e apelativa, e participar do jogo democrático perseguindo a tal governabilidade?
O PT demonstra que optou pela segunda possibilidade, enquanto o PSOL parece ceder cada vez mais a essa tendência. O PSTU e o POR e o PCB pela primeira.
Em que medida a propaganda de massa, enquanto técnica e recurso, pode ser a expressão do posicionamento ideológico e das ações e estratégias empreendidas pelos partidos modernos na construção de suas práxis?
Acredito que a ausência de um debate profundo e amplo a respeito dessa questão é, ao mesmo tempo, causa e efeito do modo como o quadro político do país está orquestrado. Nesse sentido, vem a tona as palavras de ordem e os discursos pautados pela ideia de "disputar consciências". O PSTU, por exemplo, parece crer que o proletariado pode ser despertado pela apresentação de seus "reais" objetivos - imediatos e/ou mediatos. Sua postura ao fazer isso tem dois efeitos mais facilmente perceptíveis: o primeiro diz respeito a sua fidelidade aos compromissos históricos do proletariado enquanto classe potencialmente revolucionária. Não se pode negar que isso tem um preço, e é a ele que faço referência ao falar do segundo efeito. Sem dúvidas que o proletariado não quer, por exemplo, a volta da inflação vertiginosa que esteve presente na vida dos brasileiros por tantos anos. Não quer pagar a dívida, mas também não quer o país torne-se instável para os investidores, o que certamente diminuiria os investimentos e traria fuga de capitais. O preço a pagar por se manter fiel a um projeto revolucionário é que nem todos estão dispostos a mudar radicalmente. O sucesso eleitoral do PSTU demonstra isso em um plano mais imediato.
Como trabalhar junto as massas? Qual o papel dos intelectuais na construção da luta política e da práxis? É possível transpor os limites da classe em si através da propaganda de massas dentro da estrutura política do país?
São todos questionamentos importantes que tangenciam as manifestações que surpreenderam o Brasil durante o ano de 2013. As pessoas demonstraram de maneira sintomática e, até tragicômica, que oportunistas de esquerda e de direita não eram bem-vindos quando deixavam transparecer que estavam ali "disputando consciências". Não faltaram cenas de hostilidade contra manifestantes e militantes partidários durante as manifestações de junho/julho.
Parece que estamos diante de uma problemática irônica. Ser fiel aos seus compromissos históricos e pagar o preço do fracasso nas urnas, ou aderir a propaganda de massas, densamente demagógica e apelativa, e participar do jogo democrático perseguindo a tal governabilidade?
O PT demonstra que optou pela segunda possibilidade, enquanto o PSOL parece ceder cada vez mais a essa tendência. O PSTU e o POR e o PCB pela primeira.
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