Notas sobre A história dos homens e mulheres nestes espaços de "produção do conhecimento".
Bundão!
Entre os esteriótipos, os arquétipos da população que habita as escolas, nos perdemos nos professores barbudos de sociologia, na filosofia barata dos professores formados em outras disciplinas e que aceitam a filosofia - mas ela não os aceita -, na arrogância velada dos cumpridores de prazos, na também velada subversão dos protocolos, nas professoras cheias de recalque, taradas pela emoção, do amanhecer gélido ao anoitecer na masturbação.
Bando de bundão.
Isto sem contar as pedagogas, que de pedagógicas não tem nada. Representantes da ordem e da punição. Através de uma espécie de visão além do alcance, enxergam os mais imperceptíveis erros, cores de caneta, rasuras, qualquer coisa que, caso não seja notado, não fará a menor diferença. Mas entendo. São qualquer tipo de burocratas. O burocrata sabe do seu poder. Guarda a administração das nossas rotinas cotidianas como um conhecimento que serve de barganha.
Lamentável!
Bundão!
É interessante e contraditório.
Essa foi a sensação que tive ao chegar na manhã de terça-feira na escola para a "formação em ação".
Um homem com uma farda da polícia, um arma de fogo na cinta e um discurso de resolução de problemas.
No mínimo uma contradição.
Não que a polícia não saiba resolver conflitos. É que ela resolve de forma nada pacífica e alternativa, como nos queria fazer acreditar o auto-confiante tenente Depois.
Logo a polícia militar no Brasil, a mesma que possui um histórico de violência incontestável, a mesma que foi responsável pelo aumento em quase seis vezes da população carcerária em apenas 10 anos. Como esperar de uma figura tão repleta de elementos simbólicos ligados a resolução violenta de conflitos uma ou várias soluções alternativas para os conflitos?
Me pergunto: Por que um policial está dando uma palestra sobre o papel do educador? Mais uma dessas políticas enfiadas goela abaixo e que não respeitam nem mesmo a coerência.
A gestão escolar, de maneira geral, tende para dois lados: o recurso da autoridade e das regras; e a esfera do humanismo assistencialista.
Ambos me parecem conservadores.
De certa maneira o policial, naquele dia, conseguia reunir as duas características.
Não consigo achar essas palestras interessantes.
Algo está cristalizado dentro de mim sobre esses eventos, uma espécie de pré-conceito mesmo.
Os conteúdos e as reflexões que efetivamente poderiam auxiliar o professor no processo de formação não são problematizados.
Os enfoques são, na maioria das vezes, restritos ao planejamento e ao cumprimento dos protocolos.
Tirei uma foto mental da porta da sala dos professores entreaberta. Uma professora não muito alta, um pouco gorda, esbravejando com outro professor a respeito dos disparates dos adolescentes mesmo quando todos insistem em lhes oferecer outra chance.
Fiquei um pouco envergonhado. Não sei dizer exatamente o por que. Só lembro que disfarcei ter visto a cena e andei rápido o suficiente para entrar na sala de aula e dar início ao trabalho.
Nosso futuro está nas mãos dos bundões bem intencionados. Cumpridores de protocolos.
Os alunos sentem o peso de uma instituição homogeneizadora. Percebem o quanto ela os en-forma.
A evasão escolar, o velho e persistente problema da indisciplina, o uso de ritalina e os laudos de déficit de atenção, são todos exemplos sujos do dia a dia dessa instituição tão marcadamente fabril e massificada.
Os últimos dias do ano letivo mostraram o quão melindrosa são as atitudes e a consciência de classe presente nos trabalhadores envolvidos com a escola e, de maneira geral, com a educação.
As normas, protocolos, leis, regras, hábitos profundamente arraigados, e outros tantos exemplos, recaem sobre a escola na figura fantasmagórica da instituição.
Hoje no encerramento do Plano de Ação Descentralizado (PAD) tivemos a fala sincera e humildemente limitada de uma professora que falava em nome da Secretaria.
-É a vontade da mantenedora - dizia ela.
A mantenedora é uma espécie de semi-deus.
Isso.
Metade homem, metade entidade sobrenatural.
É por isso que me irrita os bundões.
Gado.
Bundão!
É interessante e contraditório.
Essa foi a sensação que tive ao chegar na manhã de terça-feira na escola para a "formação em ação".
Um homem com uma farda da polícia, um arma de fogo na cinta e um discurso de resolução de problemas.
No mínimo uma contradição.
Não que a polícia não saiba resolver conflitos. É que ela resolve de forma nada pacífica e alternativa, como nos queria fazer acreditar o auto-confiante tenente Depois.
Logo a polícia militar no Brasil, a mesma que possui um histórico de violência incontestável, a mesma que foi responsável pelo aumento em quase seis vezes da população carcerária em apenas 10 anos. Como esperar de uma figura tão repleta de elementos simbólicos ligados a resolução violenta de conflitos uma ou várias soluções alternativas para os conflitos?
Me pergunto: Por que um policial está dando uma palestra sobre o papel do educador? Mais uma dessas políticas enfiadas goela abaixo e que não respeitam nem mesmo a coerência.
A gestão escolar, de maneira geral, tende para dois lados: o recurso da autoridade e das regras; e a esfera do humanismo assistencialista.
Ambos me parecem conservadores.
De certa maneira o policial, naquele dia, conseguia reunir as duas características.
Não consigo achar essas palestras interessantes.
Algo está cristalizado dentro de mim sobre esses eventos, uma espécie de pré-conceito mesmo.
Os conteúdos e as reflexões que efetivamente poderiam auxiliar o professor no processo de formação não são problematizados.
Os enfoques são, na maioria das vezes, restritos ao planejamento e ao cumprimento dos protocolos.
Tirei uma foto mental da porta da sala dos professores entreaberta. Uma professora não muito alta, um pouco gorda, esbravejando com outro professor a respeito dos disparates dos adolescentes mesmo quando todos insistem em lhes oferecer outra chance.
Fiquei um pouco envergonhado. Não sei dizer exatamente o por que. Só lembro que disfarcei ter visto a cena e andei rápido o suficiente para entrar na sala de aula e dar início ao trabalho.
Nosso futuro está nas mãos dos bundões bem intencionados. Cumpridores de protocolos.
Os alunos sentem o peso de uma instituição homogeneizadora. Percebem o quanto ela os en-forma.
A evasão escolar, o velho e persistente problema da indisciplina, o uso de ritalina e os laudos de déficit de atenção, são todos exemplos sujos do dia a dia dessa instituição tão marcadamente fabril e massificada.
Os últimos dias do ano letivo mostraram o quão melindrosa são as atitudes e a consciência de classe presente nos trabalhadores envolvidos com a escola e, de maneira geral, com a educação.
As normas, protocolos, leis, regras, hábitos profundamente arraigados, e outros tantos exemplos, recaem sobre a escola na figura fantasmagórica da instituição.
Hoje no encerramento do Plano de Ação Descentralizado (PAD) tivemos a fala sincera e humildemente limitada de uma professora que falava em nome da Secretaria.
-É a vontade da mantenedora - dizia ela.
A mantenedora é uma espécie de semi-deus.
Isso.
Metade homem, metade entidade sobrenatural.
É por isso que me irrita os bundões.
Gado.
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