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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Primavera latina

Há vozes a uma distância de mais ou menos três quarteirões.
O quarto está cheio de uma fumaça densa e a luz é amarela.
Um reflexo dos móveis com poucas demãos de verniz claro.
Uma motocicleta acelera.
O inverno vem chegando ao fim no hemisfério sul.
O ódio na proporção inversa.
Cresce.
Há uma balada latina.
Sirenes de um carro de polícia ao fundo.
Clichê maldito.
Sou eu ou ele a perceber um ao outro?
Esperou pelo fim do mês,
Mas outro mês teve início.
Nada aconteceu.
Era tudo a mesmice cotidiana, de vidinha pacata.
De login e logoff, de olhares dissimulados, de desejos escorridos pelas paredes dos sonhos.
Fumaça densa.


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